2009-01-28

Existencialismo e tensões ( Um outro humor )




1975 (?). Sarte em Portugal. Faculdade de Letras, ainda no coração da cidade do porto. Exaltação, excitação orgástica, nostalgias e tentativas de reedição de Maio de 68. Trostsquistas de um lado, maoistas de outro. Discurso para aqui, discurso para acolá. Classe operária de um lado, classe operária de outro. A minha cabeça era uma bola de pingue-pongue. Fartei-me. Inclusive os do paleio também estavam fartos do seu prórpio paleio, mas, cegos e surdos-mudos, permaneciam no mesmo lugar, nos mesmos discursos. Microfone na mão. Que estamos para aqui a fazer masturbando-nos intelectulmente, quando o momento é de rua e o tempo está bom?... Fez-se silêncio absoluto. Até o Sartre parou de falar. Descansei um pouco a cabeça. Proposta na mesa. E lá foram todos pelas ruas do Porto. Foi mais uma espontânea. Como um gato, dribleio-os; já não me lembro, mas penso que fui para outro lado qualquer. Não me apetecia andar aos berros. Ou me engano muito, ou fui até à Foz ver o mar e caminhar ao lado dele. Sozinho, como sempre, ou quase.

imagem http://imagemmegami.blogspot.com/2008_07_20_archive.html

4 comentários:

  1. Boa reentrada Jota! Pois, já me tinha esquecido que passámos pela mesma casa em tempos diferentes. Na altura estava eu a caminho da universidade de Coimbra. E em 2005 comemorou-se na FLUP o centenário de nacimento de Sartre, com incursões pela "literatura como escolha filosófica".

    Fizeste bem, foste poeta sem palavras, caminhando ao lado do mar. Agora caminho eu, com o pensamento voltado para as gaivotas.

    Beijinho
    Isabel

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  2. Olá :)

    Tempos de excesso e de radicalismo. Regra geral, penso eu de que... não integrando fileiras de ismos na íntegra, a alternativa é um certo caminhar solitário (muitas vezes por entre as gentes). Mas vale a pena.
    É importante manter a sanidade mental. E o mar sempre foi uma muito melhor opção. Poética!

    Ainda vivi alguma da atmosfera desses tempos, mas mais tardia, mais moderada, menos Maio de 68. Na FLUL.

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  3. Um regresso em cheio e cheio de MUITO.
    Assim deviam fazer (caminhar sozinhos) todos aqueles que caminham na "procissão" de "olhares cegos e alheios"

    Um abraço

    Foi bom voltar a este cantinho e, entre outras, lembrar-me que em 1975 foi o ano de uma grande responsabilidade para mim, foi o ano em que comecei a trabalhar na área da educação onde as mudanças foram tantas, face a total inexperiência. Sobrevivi! Resisti! Fui quase sempre feliz no que fiz!

    MV

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  4. 1975 - 15 / 16 anos.
    Que dizer? Adolescente, espigadota, e como no ano anterior, ainda andei na rua. Para mim foi importante, não o andar na rua, mas descobrir que existiam outras músicas, outros livros, ideias, formas de estar... . Não fazia a mínima que no antigamente apenas o pensamento era livre.
    Nessa altura perdi amigos(as), ganhei outros(as) - não me lembro de ter ficado afectada com essas perdas, como já escrevi era espigadota (santa ignorância), mas foram anos muito vivos e eu era uma miúda muito extrovertida, alegre e bem-disposta. Pode não parecer, mas ainda sou - com os meus.
    Em 75, acho que já sabia quem era Sartre e o que tinha sido o "Maio de 68".
    Na minha vida, foi uma "fase" de aprendizagem, crescimento e feliz.

    "... Sozinho, como sempre, ou quase." Leio de uma forma não muito poética. Pessoal (tua) talvez actual..., mas sou só eu a divagar.

    Só falta escrever: GOSTEI DE LER!

    Um abraço. Fica bem.

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